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vida miúda
terça-feira, 10 de abril de 2012
shadow play
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Só sei pintar ouvindo música
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Cyber Canetada 1501 C3 XI
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Renato Paiva
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Natural History of the Enigma
"Edunia", de Eduardo Kac, flor trangênica com o DNA do artista expresso nas "veias" vermelhas da planta (2003-2008).
Ao fundo, litografias da série "natural history of enigma", edição de 15 trabalhos (2006)
Eduardo Kac criou um plantimal, uma flor produzida através de engenharia genética que é um híbrido do artista e Petunia. O plantimal de Kac expressa o DNA do artista exclusivamente nas veias vermelhas da flor. A obra é uma nova forma de vida à qual ele dá o nome de "Edunia". Desenvolvida entre 2003 e 2008, "História Natural do Enigma" foi exibida de 17 de abril a 21 de junho de 2009, no Museu de Arte Weisman, em Minneápolis.
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quinta-feira, 5 de abril de 2012
caio em paredes
caio em paredes, mal toco soleiras, timbre em anas, masmorras do véu. e te encontro, caio, cerzindo arcabouços. mirando a janela. sentado à espera. de que, caio. segreda, inaugura, imponha o teu sonho que dele há de ser-me. quem sabe quimera. quem sabe a ladrilho. quem ousa será. caio. veja bem que os rios prosseguem. gasta bem que o asfalto sustém. sinta aquela que chama apagada. mas eu tenho velas, sim, caio, tenho arestas e quando me falta coragem tenho bytes e sei não não sei. caio. o que posso fazer é soprar tua vida e acudir que a tempo meu ar faz-se verbo.
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quarta-feira, 4 de abril de 2012
poesia - dheyne de souza
quinta poética - casa das rosas - são paulo
declamação suja por wilton cardoso
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terça-feira, 3 de abril de 2012
blogarte
O encontro blogarte aconteceu no dia 27/03/2012, no S4, bar mais underground de Goiânia. Foi uma anárquica noite de blogs, poesia, literatura e arte. Confira as fotos:
(clique na foto para ampliar)
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segunda-feira, 2 de abril de 2012
Canetada 2805 XI
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I'm going on
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domingo, 1 de abril de 2012
ten years gone
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sábado, 31 de março de 2012
TRADUÇÃO DE UM POEMA DE ROBERTO JUARROZ
(poema do seu primeiro livro, de 1958, Poesia Vertical)
Entre pedaços de palavras
e carícias em ruínas,
encontrei algumas formas que retornavam da
morte.
Retornavam de desmorrer.
Porém não lhes bastava isso.
Haviam de seguir retrocedendo,
haviam que desviver tudo
e depois desnascer.
Não pude fazer-lhes nenhuma pergunta,
nem mirá-las duas vezes.
Porém elas me indicaram o único caminho
que talvez tenha saída,
e que retorna desde toda a morte
até para o antes de nascer,
a encontrar-se com o nada do começo
para retroceder e desnadar-se.
Zeitgeist na web com mapas, projeto Rorchmaps do artista plástico James Bridle
Zeitgeist na web com mapas, projeto Rorchmaps do artista plástico James Bridle
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sexta-feira, 30 de março de 2012
eva hesse: serial art ou arte mata 2
Eva Hesse (1936-1970)
"Arte e trabalho e arte e vida são muito conectadas e minha vida inteira foi absurda"
"Não há uma coisa em minha vida que não aconteceu ao extremo - saúde pessoal, situações familiares, econômicas... absurdidade é a palavra chave... Tem a ver com contradições e oposições. Nas formas que eu uso em meu trabalho as contradições estão certamente lá. Eu sempre estava atenta que deveria levar ordem contra caos, pegajoso contra massa, enorme contra pequeno, e eu tentaria achar os opostos mais absurdos ou opostos extremos".
Eva Hesse, judia alemã, escapou dos campos de concentração em 1939, quando fugiu com sua irmã para Amsterdã. Depois de dois meses em um orfanato, Hesse e sua irmã foram resgatadas pelos seus pais. Em 1946, Hesse perdeu sua mãe num suicídio, acontecimento que provocou uma grande angústia e uma depressão, temas que Hesse explorou continuamente em sua arte.
No início dos anos 60, a artista, a partir da observação de materiais abandonados, passou a experimentar novos processos escultóricos com fios de tecidos, fios elétricos e painéis de madeira, ocupando uma particular participação de valor no desenvolvimento da arte internacional dos anos 60, na Alemanha.
Em 1969, Hesse descobriu um tumor no cérebro, passou por três cirurgias, antes que morresse em maio de 1970, com 34 anos. A obra de Eva Hesse era vista, naquele momento, sempre filtrada pelas circunstâncias trágicas de sua vida e de sua morte precoce.
Durante a doença, Hesse desenvolveu uma parceria com seus assistentes, dessa forma, tornou-se possível dar continuidade a sua arte até o fim de seus dias.
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quinta-feira, 29 de março de 2012
Quando Caio nessa Vida Miúda
Saudades, Caio. Estou falando diferente, mudei os interlocutores. Uns quantos que trinam sem colorir. Piado mudo, mais de compartilhamento que de desova. É, você me deu limites, Caio, de só cair pra fora. Não estalo mais, mudei de endereço. Ponho flores que roubo sem o consentimento do menino dentro da garrafa verde e gorda. Ganhei de presente: amora. Enfeitiço quem não sei, nem quero saber e me escondo no verme cinza que vi entrar pela fresta da mesa que meu pai carpiu pra mim. Será que meu pai é carpideiro, Caio? Será que ele, sem me ensinar, intuí o ofício? Sabia que pago o aluguel? O resto está no automático, nunca esqueço mais, debitam-se. Energia não me falta, nem água. A não ser que me passem a perna. Ninguém me passa a perna, Caio. Acho bem feito. Quem vem pro jantar? Eu acho viver menos perigoso que travado. Sabe a peixeira? Escondi de mim. Uma complacência de meter dó, gosto mais de rasgar o bucho de soldado no gume cego da faca. Deu saudade. Pedra amola nada, não, só serve pra entupir rim. Cabra-cega sem fé e tudo. Você continua aí, né, Caio? Firme e forte na sua acreditância. Vai rezando, vai. Miudinho, na sua cartilha. Pois pra mim você é o contrário de astuto. A cada desfile de ponteiro você é mais anacrônico. Primeiro porque não entende violência, acha que não estou esfaqueando agora. Estreitado. Pra você, só se houver sangue, hematoma, ralado, lâmina no bucho. Pois eu estou violentando você, estou atravessando nesta hora. Esmagando sua honra, expondo sua cretinice, rasgando suas caras maquiadas de cinismo, furando sua barriga inchada de orgulho e burrice. Eu o estou esquartejando, Caio, e distribuindo no quintal pra os meus abutres. É assim que faço a digestão da carniça que me servem como refeição principal. Ao lado de você esmigalhado, das suas tripas carcomidas, tem meu pé de manacá. Outro presente. Um cheiro, Caio! Fico até bêbada. Ele é branco e roxo, solta mel e leite. Plantei lá a ver se dava passarinho, não é que? Eles até me ensinam solfejar... Aprendo, claro que aprendo. Assim também não ouço seu berreiro, nem sinto o fedor de suas gangrenas. Assim, assisto à televisão e como pipocas com meu filho, enquanto você estrebucha lá de fora do vidro. Não aguento, Caio, de quando em vez eu olho. Olho e aceno. Tá bom, às vezes posso um sorriso... Lá, de cima de mim, do alto de minha beleza e minha força, mas calma, não se apoquente, soa só pra dentro a gargalhada maligna.
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Fernanda Marra
quarta-feira, 28 de março de 2012
the first cut
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segunda-feira, 26 de março de 2012
domingo, 25 de março de 2012
MANIFESTO
A noite pode mais debaixo da chuva
A cidade é uma imagem de acampamento
Mas todos residem nela como a Lua
Habita a órbita mais próxima da Terra
Vertido em cansaço e movido a cerveja
Albergo na cereja dos olhos fumo
E por isso ando irritado e no vermelho
Como uma flor banhada no próprio sangue
O dia seguinte não vale uma cédula
O dinheiro mínimo de um operário
Desde cedo nascido para miséria
Porque tão faturado pela pobreza
Mas flambo noutro vermelho e me sacudo
Calando a escuridão que me clausura
Para dizer firmemente aos tubarões
Que não me movo sob rédeas e trabuco
A cidade é uma imagem de acampamento
Mas todos residem nela como a Lua
Habita a órbita mais próxima da Terra
Vertido em cansaço e movido a cerveja
Albergo na cereja dos olhos fumo
E por isso ando irritado e no vermelho
Como uma flor banhada no próprio sangue
O dia seguinte não vale uma cédula
O dinheiro mínimo de um operário
Desde cedo nascido para miséria
Porque tão faturado pela pobreza
Mas flambo noutro vermelho e me sacudo
Calando a escuridão que me clausura
Para dizer firmemente aos tubarões
Que não me movo sob rédeas e trabuco
(Jamesson Buarque)
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error_525#,
POESIA
sábado, 24 de março de 2012
— As Metrópoles contemporâneas são estruturadas
como conjunto (não-todo) de Províncias —
As pessoas das pequenas cidades vestem a cidade
(sim: vestem a cidade) como se a cidade fosse uma roupa de perfeito corte, nem
uma segunda pele, mas a pele natural. Resulta disso a criação de uma
irmandade-imanente, isto é: ser é ser daqui, pertencer à aldeia é o único modo
de pertencer ao mundo.
Onde todos são irmãos, ora, há o Grande
Irmão, esse Olho transcendente-imanente, onipresente em todos indivíduos sem se
diluir neles, porque esse Olho é cada um e todos os indivíduos, que se vigiam
uns aos outros como se vigiassem a si mesmos, que se vigiam a si mesmos pelos
olhos dos outros. No entanto, parece-me, que a pequena cidade, a cidade que
moro, por exemplo, é uma célula na qual se reproduz o mundo, um modelo reduzido
do mundo, pois me parece que o mundo vive em grande parte como se estivesse em
um de seus começos, quando se acredita, como na Grécia homérica, que a palavra é
natural, que ao dizer dizemos o que é, de que não se trata de uma construção,
de uma prótese que precisamos para ficarmos de pé — os homens se olham e não
sabem que são narrativas andando pelas ruas, que serem-narrativas é o que os
fazem caminhar, trepar, trabalhar, cagar (no lugar certo), fantasmatizar o
mundo de um jeito que pareça que o rio da sua ilhota seja maior e mais bonito
do que o Tejo.
Digo
isso, pois se é mais evidente que o desventramento é o núcleo do horror
das ínsulas do planalto central, o desventramento como porosidade, o
propalado movimento de
interpenetração dos estratos globais parece não ocorrer ou ocorre de
modo muito
rarefeito nas grandes cidades. Não raro, se dá o avesso disso: se
produtos
circulam globalmente e adentram as ilhas do sertão, as idéias se
encaracolam, a
força gravitacional do próprio umbigo é elevada à última potência e,
assim, as ínsulas sertanejas goianas apresentam outro aspecto de sua
configuração como modelo reduzido do mundo,
uma vez que, ao revés de globalidade, de porosidade na entercirculação
de idéias entre os sistemas de representação da realidade, o
que parece caracterizar as metrópoles contempoâneas é mais a
proliferação de
encaracolamentos, de ínsulas, de falanges circulando em tais metrópoles,
produzindo-se um congestionamento de ilhas impermeáveis ou pouco
permeáveis,
pequenas castas unidas por umbigos os mais variados (comprado nas
prateleiras
do mercado de idéias — no varejo ou no atacado), com seus membros
armados de uma
coesão garantida por meio da fantasia de localizar o perigo sempre do
lado de fora.
Desse
modo, a metrolópole se articula em províncias,
organizadas menos por contiguidades espaciais, e mais por atração de
sistemas fechados de representação e de idenficação, fechados em lógicas
pouco complexas, geradoras de dinâmicas repetitivas: os discursos de
mestria
se proliferaram e, assim, as províncias se constelaram em novos tipos de
laços
sociais não tão novos assim, algo que poderíamos chamar de ínsulas
nômades (capazes de se adaptarem às grandes cidades) embrulhadas numa
fingida fábula de porosidade e de abertura à circulação de
ideias e de linguagens heteróclitas. Entranto, não há nada de babélico
nessas
castas que, circunavengando as águas das cosmópoles, fecham-se sobre si
mesmas
em suas reduzidas caixas de linguagem, ainda que tal linguagem
monolítica costume se centrar, justamente, na idéia de "defesa da
pluralidade e das diferenças".
Ou seja, essas províncias no interior das metrópoles são pré-babélicas, anti-babélicas, blindadas “numa língua-lábio una e palavras unas” que, paradoxalmente, prega a babelização do mundo. A estratégia é, portanto, pregar a babelização (heterogeneidade, abertura) para se defender dela, resultando disso a segurança hermetizada de grupos que encontram coesão similar ao de uma célula terrorista, mas que diferencia desta ao praticar no máximo o terrorismo auto-asfixiante, respirando unicamente o ar de suas grandes revoluçõezinhas — tão desestabilizadoras quanto aquele gadget revolucionário que condensa em si a velha superstição da tradição moderna: a descoberta semanal de um mundo totalmente novo.
Ou seja, essas províncias no interior das metrópoles são pré-babélicas, anti-babélicas, blindadas “numa língua-lábio una e palavras unas” que, paradoxalmente, prega a babelização do mundo. A estratégia é, portanto, pregar a babelização (heterogeneidade, abertura) para se defender dela, resultando disso a segurança hermetizada de grupos que encontram coesão similar ao de uma célula terrorista, mas que diferencia desta ao praticar no máximo o terrorismo auto-asfixiante, respirando unicamente o ar de suas grandes revoluçõezinhas — tão desestabilizadoras quanto aquele gadget revolucionário que condensa em si a velha superstição da tradição moderna: a descoberta semanal de um mundo totalmente novo.
Imagem: de Paulo von Poser
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PROSA PENSANTE,
Wesley Peres
health fanatic
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quinta-feira, 22 de março de 2012
bean green over blue
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